Três Métodos para Desidratar Alimentos
A desidratação consiste no processo de remover a água e humidade do interior de alimentos e não é um processo recente.
Na realidade os historiadores acreditam que esta prática deriva do tempo dos Fenícios e foi um conhecimento transmitido entre povos e gerações, até ao tempo dos nossos antepassados diretos que conservavam alimentos específicos, como os feijões e as leguminosas, que tão comummente encontramos à venda secos.
Ao remover a água dos alimentos este processo permite estender a sua validade por um longo período, pois sem água os microrganismos existentes, bactérias, vírus e fungos, não se conseguem desenvolver, e assim o alimento não será degradado.

Praticamente todos os alimentos sólidos podem ser desidratados, vegetais, frutas, ervas aromáticas, flores comestíveis, sementes, carne, peixe e até cereais, sendo um processo de execução simples, contudo morosa, e que pode perfeitamente fazer em casa.
Para desidratar alimentos em casa recomendamos três métodos: o sol, o forno e o desidratador.
Para todos eles existem alguns cuidados a tomar.
Escolher alimentos em bom estado e maduros (quanto mais verdes estiverem menos saborosos irão ser), devem ser lavados, escovados ou sacudidos previamente, cortados em fatias finas e se possuírem casca grossa devem ser escaldados ou levemente cozidos antes de desidratados, e a cozedura deve ser travada abruptamente com água com gelo para evitar que passem o ponto ideal de desidratação.
Para evitar, também, uma alteração de cor muito acentuada pode demolhá-los, após o corte, em água com sumo de limão e secá-los cuidadosamente.

No caso das ervas aromáticas as mesmas devem ser colhidas após alguns dias de sol direto, para que estejam no seu pico de nutrientes.
Podem ser desidratadas praticamente todas as espécies, sendo ideais para o processo as menos frágeis, como sejam: a manjerona, os orégãos, o alecrim, a sálvia, o tomilho, a camomila, a hortelã-pimenta e a lavanda.
Desidratação ao Sol
Recorrer ao astro rei para nos auxiliar nesta tarefa tem seguramente vantagens e desvantagens.
As vantagens consistem na simplicidade do processo e na poupança energética, pois apenas necessita de dispor os alimentos num tabuleiro protegido, colocá-lo ao sol e ir virando para que desidratem de forma homogénea. Sem qualquer gasto económico.
As desvantagens estão relacionadas com a exposição a microrganismos e à variabilidade do processo.
Para reduzir a exposição durante a desidratação recomenda-se a cobertura dos tabuleiros dos alimentos com um tecido permeável limpo. Poderá ser uma boa opção um tecido tipo tule ou um tecido poroso semelhante ao utilizado para fazer queijo.

A variabilidade do processo está intimamente ligada ao sol, pois a sua exposição e temperatura não será a mesma durante todo o processo, o que o torna mais longo e inconstante.
Esta opção é sem dúvida uma das nossas favoritas, contudo tenha em consideração que, dependendo do alimento, poderá demorar vários dias.
Seguindo sempre o princípio de que quanto mais humidade tiver o alimento, mais tempo demorará.
Durante todo o processo deve manter-se atento e recolher os tabuleiros durante as horas sem exposição e de noite.
Desidratação no Forno
É talvez o método mais conhecido por estar acessível a todos e requerer apenas a utilização de um equipamento já presente nas nossas cozinhas.
Neste caso os alimentos devem ser alinhados nos tabuleiros (pode, e deve, para uma maior eficácia e eficiência do processo, colocar vários simultaneamente) e ligar o forno na temperatura mais baixa possível, nunca mais alta do que 60ºC.
Se o seu forno não possuir temperaturas baixas, lamentamos, mas não poderá desidratar alimentos no seu equipamento, pois não os estaria a desidratar, mas sim a cozinhar, pois a temperatura é demasiado alta para que o processo ocorra.

Durante toda a desidratação é fundamental que a água libertada seja removida da atmosfera do forno, o que pode ser alcançado com o modo ventilação ou com a porta do equipamento ligeiramente aberta.
Recomendamos ainda que o forno seja limpo antes do processo com água e sabão natural, ou vinagre, para evitar qualquer tipo de contaminação cruzada.
Este método, dependendo do alimento, da categoria energética do forno e do tipo de energia da sua habitação, poderá ser pouco eficiente e sustentável, pois os tempos de desidratação a 60ºC (temperatura mínima média dos fornos domésticos) podem ir desde 2 horas para ervas, de 5 a 12 horas para alimentos como cogumelos, maçãs, couves, cenouras, pimentos, espinafres e curgetes, e até às 36/48h com alimentos como alperces, pêssegos, nectarinas e ameixas.
Poderá ser, contudo, uma opção interessante para realizar durante o dia, por todos os que possuem energia solar, pois estarão a recorrer a uma energia inesgotável e autossuficiente.

Desidratação no Desidratador
Um desidratador é um equipamento eletrónico concebido especificamente para o processo de desidratação doméstica e, em formatos maiores, também industrial.
Possui três funções complementares: a manutenção da temperatura ideal para o processo (entre os 49ºC e os 65ºC), a eliminação da humidade do ar facilitando a extração da água do alimento para o ar, e a ventilação da atmosfera promovendo a circulação do ar e a extração da humidade em excesso.
Desta forma é um equipamento muito eficiente e que, devido às suas características, encurta o tempo necessário ao processo.
Os alimentos preparados, tal como mencionado anteriormente, deverão ser colocados nos tabuleiros de forma que não se sobreponham e a conduta de ar não fique bloqueada.

Quando os alimentos estiverem desidratados será visível a olho nu, pois os desidratadores possuem uma superfície envidraçada propositadamente desenvolvida para este fim.
O tempo do processo dependerá totalmente do tipo de alimento, contudo alguns desidratadores possuem temporizador com o qual pode cronometrar toda a tarefa.
Em qualquer um dos métodos poderá verificar a qualquer momento se os alimentos completaram o processo pegando numa unidade, com as mãos devidamente limpas, e conferindo se a textura se encontra firme, enrugada e crocante, significado de que estará pronto.

Após desidratados, os alimentos, podem ser consumidos diretamente como snack, utilizados em preparações, ou novamente hidratados num pouco de água morna.
Para armazenar basta recorrer a caixas ou frascos herméticos ou sacos de vácuo e mantê-los num ambiente seco com temperatura baixa e estável.
A nível de eficiência e sustentabilidade do processo consideramos que o sol será a melhor opção, seguido pelo desidratador e terminando no método do forno.

A desidratação é um dos métodos mais funcionais e eficazes para prolongar a validade de qualquer alimento, sem necessidade de consumo de energia constante (caso da congelação) ou de preparação (exemplo das conservas).
Esperamos que considere esta partilha útil e se aventure a desidratar os seus alimentos sazonais favoritos, estendendo assim a sua degustação para todo o ano. Experimente!