Aprenda a Fazer Compostagem Bokashi: Passo a Passo

Compostagem bokashi para resíduos orgânicos adequada a todos os tipos de habitações
Fotografia de Murta / Skaza

Já anteriormente mencionamos aqui no Blog este tipo de compostagem, o seu método de funcionamento, os componentes necessários e os passos básicos.

Contudo, consideramos que ainda é um tema confuso e demasiado complicado para muitos, por isso hoje partilhamos um passo-a-passo completo e ajudamos a desmistificar todos os preconceitos associados à compostagem realizada em contexto doméstico.

Compostagem | Murta Atitude Natural
Kits e acessórios extra para compostagem doméstica bokashi



Fotografia de Alyson Mcphee/ Unsplash

Os resíduos orgânicos alimentares fazem parte da nosso dia-a-dia se realizarmos qualquer tipo de refeição ou snack em casa, pois nele incluem-se cascas, caroços, topos e todas as partes de alimentos que não são consumidos, seja qual for o motivo.

Para efeitos de compostagem bokashi é fundamental a compreensão do seguinte: não podem ser adicionados restos de alimentos com pragas, sejam elas fungos, como o bolor, ou qualquer tipo de ser macroscópico, como larvas, formigas, aranhas, etc., pois podem aproveitar-se do meio existente e desenvolver-se.

Aparte deste pormenor importante, líquidos, ossos e espinhas de grandes dimensões, todos os restantes resíduos alimentares podem ser adicionados à compostagem bokashi, o que é uma grande vantagem comparativamente a outros métodos que não toleram alimentos cozinhados, proteína animal e/ou citrinos.

Para os colocar no compostor deve cortar estes restos em pedaços bastante pequenos – para acelerar ao máximo o processo de degradação – e mantê-los num contentor designado até que existam em quantidade para criar uma camada de dois dedos de espessura, bem espalmada (com o tempo vai ser capaz de estimar esta quantidade facilmente e pode até marcá-la visualmente no próprio contentor).



Compostor bokashi em plástico reciclado e reciclável disponível em murta.eco
Fotografia de Murta / Skaza

Mas afinal o que é um compostor bokashi?

É simplesmente um contentor plástico que possui uma pega, uma tampa, uma plataforma interior - para evitar que os resíduos entupam a tubagem – e uma torneira.

Podem ser mais ou menos elegantes (no que ao design diz respeito) e empilháveis, o que é bastante prático para casos de famílias que optem por mais do que um compostor.

Este contentor irá receber os resíduos alimentares mencionados por camadas que, envolvidas com um farelo impregnado com microrganismos, e em ambiente anaeróbico (sem oxigénio) será capaz de criar o meio perfeito para que a degradação ocorra de forma acelerada, comparativamente com outros processos que demoram meses.



Compostor bokashi, farelo e acessórios disponíveis para compra em murta.eco
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A utilização do compostor é simples, mas apresenta alguns passos importantes que devem ser cumpridos para que a fermentação dos resíduos ocorra de forma correta e no mínimo de tempo possível.

O processo inicia-se com farelo. Deve ser colocada uma camada fina de farelo no fundo do compostor limpo (por cima da plataforma). Pode ser colocada uma camada de papel absorvente ou higiénico antes do farelo para conter o mesmo e evitar que se desperdice alguma quantidade através dos furos da plataforma.

Por cima do farelo devem ser colocados os resíduos alimentares. Tal como mencionado anteriormente, devem ser cortados/partidos em pedaços pequenos e podem ainda ser envolvidos com um pouco de farelo, para acelerar ainda mais a degradação.

Após a colocação de todos os resíduos os mesmos devem ser espalmados com o acessório incluído ou uma espátula e cobertos com uma camada fina de farelo.

O compostor deve ser mantido fechado até à próxima colocação de resíduos e acondicionado numa zona afastada de humidade e exposição solar.



Fertilizante líquido que se obtém com a compostagem bokashi, encomende os compostores e acessórios em murta.eco
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Uma das grandes vantagens da compostagem bokashi consiste no fertilizante líquido obtido.

Este líquido precioso inicia a sua produção aproximadamente a partir de duas semanas de fermentação, contudo dependendo da temperatura ambiente e humidade relativa, pode demorar um pouco mais.

Para o remover do compostor basta abrir a torneira e verter o líquido para o copo incluído ou para uma taça de cerâmica ou copo de vidro. Desaconselhamos a utilização de qualquer tipo de plástico, pois irá impregnar com o odor (forte e caraterístico) do fertilizante e não poderá mais ser utilizado para outra função.

Para utilizar nas plantas de interior ou exterior o fertilizante deve ser diluído, na proporção de 1mL para 1L de água. Senão pretender usar no momento, o fertilizante deve ser guardado em garrafas, preferencialmente em vidro, e mantido em local resguardado da luz solar.

De notar que este líquido mantém-se em fermentação durante algum tempo o que promove a acumulação de gás no interior da garrafa/recipiente. Desaconselhamos a utilização de recipientes de plástico fraco, pois irá ceder ao aumento da pressão no interior e poderá quebrar.

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2 compostores bokashi empilháveis, farelo e todos os acessórios necessários para compostagem doméstica de resíduos orgânicos



Fotografia de Annie Spratt / Unsplash

O processo de adicionar camadas ao compostor deve manter-se até que o mesmo se encontre cheio e deve terminar sempre com uma camada de farelo.

A partir do momento em que completou o compostor deve registar 30 dias de “repouso”. Neste período de tempo o compostor deve manter-se fechado e o fertilizante líquido deve ser removido regularmente até não restar mais.

Após os 30 dias, o conteúdo do compostor deve ser vertido para outro contentor, vaso ou floreira grande, cama de cultivo ou até caixa com tampa, e misturado com solo para estimular a degradação e terminar o processo. Neste estado o conteúdo do compostor deve aguardar 30 dias até que possa plantar plantas já desenvolvidas nesse solo, mas pode semear no imediato, pois o tempo da germinação será o suficiente para permitir uma correta degradação dos nutrientes e eliminação de microrganismos indesejados.

É normal que, quando virar o compostor após os 30 dias, ainda serem visíveis pedaços de alimentos, pois nem todos se degradam ao mesmo tempo, e isso não é negativo, faz parte do processo. É também normal que o odor seja forte e até que existam alguns fungos de cor branca, o processo terminará de forma segura misturado com o solo (que pode ser novo ou reutilizado, desde que não esteja contaminado com pragas) e transformar-se-á em fertilizante sólido.

Após os segundos 30 dias, se acondicionou o conteúdo numa caixa à parte, o fertilizante sólido obtido pode ser utilizado diretamente nas plantas de interior e exterior, como reforço de nutrientes regular e principalmente importante nos períodos de floração e frutificação.



Compostor com design elegante para decorar cozinha disponível em murta.eco
Fotografia de Murta / Skaza

É importante reforçar que este processo de compostagem não é estanque. Se tiver poucos vasos e não tiver a quem oferecer o conteúdo do compostor após os 30 ou os 60 dias, pode perfeitamente considerar o compostor “cheio” apenas com meio conteúdo e assim reduzir a quantidade de fertilizante sólido criado rotativamente.

Por outro lado, se tem horta, muitas plantas ou tem alguém a quem oferecer o seu fertilizante, pode de forma simples e confortável utilizar dois compostores. Enquanto o primeiro se encontra em 30 dias de “repouso”, vai enchendo o segundo compostor e assim que este estiver cheio já será altura de verter o conteúdo do primeiro, e assim sucessivamente.

Este método é muito versátil e adaptável a todas as situações.

Antes de encher novamente, os compostores devem ser lavados com água e sabão natural ou desengordurante natural/biodegradável e secos ao ar. É natural que mantenham o odor caraterístico, pois tal como já referido, o plástico absorve odores e dificilmente os mesmos se dissiparão. No dia-a-dia, como os compostores são herméticos, não existe libertação de odores.

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2 Compostores bege decorativos, farelo e colher doseadora para compostagem bokashi de resíduos orgânicos



Contentor diário para conter os resíduos orgânicos alimentares antes de colocar no compostor, disponível em murta.eco
Fotografia de Murta / Skaza

Esperamos que este passo-a-passo com a nossa experiência esclareça todas as dúvidas e elimine de vez preconceitos que possam existir sobre este sistema.

Consideramos verdadeiramente reveladora a potencialidade de criar fertilizante (líquido e sólido!) a partir de resíduos que, de outra forma, seriam depositados no contentor do lixo comum e enviados para aterro ou para queima com pouquíssimo aproveitamento energético.

Se é um apreciador de plantas e estes seres dão vida e cor às divisões da sua casa, aconselhamos a experimentação deste método.

A nossa opinião pode ser parcial, contudo é realmente transformadora e libertadora a criação de valor a partir de resíduos. Vale todo o tempo despendido e a experiência do processo.

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Se tem curiosidade em saber mais sobre este tema não deixe de visitar o Blog e conhecer outro método de compostagem doméstica – a vermicompostagem – e aprender como criar um compostor bokashi e farelo para a compostagem bokashi.

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